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O programa Alfabetização na Idade Certa: contribuições para o debate

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Na semana passada, o Ministro da Educação Aloízio Mercadante falou sobre o programa “Alfabetização na Idade Certa”, que o MEC pretende lançar em junho. Em declaração no Rio de Janeiro, o ministro disse:

“Teremos uma avaliação diagnóstica, para orientação pedagógica, de leitura e redação e primeiras contas, com 7 anos. E depois com 8 anos, para sabermos como foi a evolução do programa. E por que 7 e 8 anos? Porque o primeiro ciclo de formação continuada é entre 6 e 8 anos para o letramento. Então, as crianças que não estiverem prontas aos 7 anos, ainda podem ser trabalhadas para que se viabilizem nesse processo com 8 anos de idade. Estamos trabalhando para ter a adesão de todos os municípios e Estados. Vamos respeitar os projetos que já estão em andamento, fortalecer o que já está sendo feito e apoiar o que precisa ser apoiado”.

A atenção que o MEC está dando ao processo de alfabetização é muito positiva. Como uma série de pesquisas já indicou, focar no aprendizado nos primeiros anos de escolarização é essencial e, com esta iniciativa, o governo tem uma oportunidade de produzir diagnósticos e informações importantes para melhorar a qualidade da educação brasileira. Para contribuir com a discussão, listamos aqui três pontos que consideramos relevantes para ajudar a garantir o sucesso do programa.

Apoio às escolas – A menos que tenhamos evoluções muito consideráveis no curto prazo, os primeiros resultados destas avaliações devem apontar para um cenário ruim em muitas localidades. Nesse contexto, é necessário que a equipe escolar seja cobrada, mas também apoiada. Identificar quais são as dificuldades da escola e buscar melhorias com base nos resultados da avaliação é essencial. Tentar encontrar boas práticas também deve ser um dos objetivos da avaliação.

Idade de alfabetização – Aos seis anos, o processo de alfabetização já está concluído na maioria dos países desenvolvidos. Nossa meta é buscar que nossos alunos tenham um nível de aprendizado semelhante ao dessas nações. A idade de 8 anos deve, portanto, ser realmente um limite máximo para a conclusão da alfabetização – e não ser tomada como um momento ideal para que isso aconteça.

Uso pedagógico dos resultados das avaliações – Avaliações educacionais fornecem abrangentes diagnósticos sobre a educação nacional, mas devem também servir como ferramenta de gestão no dia-a-dia das redes e das escolas do país. Atualmente, utilizamos os dados já disponíveis para identificar boas escolas e boas práticas? De acordo com os dados que já temos, somos capazes de identificar quais são as escolas que se diferenciam no ensino de Língua Portuguesa e Matemática, considerando o background de seus alunos? Temos conseguido trabalhar os resultados das provas, de forma a oferecer aos gestores educacionais documentos e ferramentas que os ajudem a tomar decisões e fazer intervenções em suas redes e escolas? É fundamental que possamos responder “sim” a essas perguntas.

O investimento para uma avaliação nacional não é baixo. Em 2007, para realizar a Prova Brasil, o MEC investiu cerca de 71 milhões de reais, R$ 13,14 por aluno. Em 2009, foram gastos cerca de 48 milhões de reais. É um investimento que vale a pena? Certamente, sim. Mas ele será tanto mais efetivo quanto mais conseguirmos usar os dados das avaliações para auxiliar políticas públicas e melhorar a qualidade do aprendizado.

4 respostas para “O programa Alfabetização na Idade Certa: contribuições para o debate”

  1. MARILENE LIBER disse:

    O que tenho visto em muitas pré escolas particulares, no entanto, é o fato de apressarem o caminho da alfabetização de alunos com apenas 4 anos, ou seja, sem a prontidão necessária para escrever ou ler , com o único intuito de acrescentar valores à instituição justificando suas mensalidades! ISTO DEVERIA SER MELHOR FISCALIZADO uma vez que traz sérios prejuizos psicopedagógicos p/ o aluno que é levado a ler e escrever (mesmo basicamente) com esta idade.

  2. Olympio Mendonça disse:

    A alfabetização das crianças até os oito anos é possível e necessária, porque na maioria das escolas particulares ela é feita aos 6 e 7 anos.Se for esperar a idade “ideal’ a criança das classes populares fica despreparada para avançar nas séries seguintes nos demais conteúdos e competências.Entre outras medidas é urgente um currículo com os conteúdos específicos da alfabetização linguística, e a divulgação de boas práticas, algumas já disponíveis na bibliografia da Univesp-Unesp:”Alfabetização linguística e letramento:Práticas socioconstrutivistas” onde há relato de experiência que mostra que 1 ano letivo foi suficiente para alfabetizar todas as crianças de classes comuns das classes populares.E.mail. onaideschwartz66hotmail.com.br P.S.Parabéns à fundação Lemann: ideias transformam!

  3. mirian paiva disse:

    Parabéns aos que a este que com um olhar diferênciado para educação nos trouxe esse programa e se possível gostaria de poder estar inserida nele.

  4. Andreia Fachiano Trindade disse:

    Para fazer esse formação PNAIC, qual o procedimento?
    Sou professora de creche do municipio de Martinópolis- SP.
    Gostaria muito de fazer o curso.
    Obrigada

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