Por Raimundo Mota, que deu aulas no Ensino Fundamental e hoje é Secretário de Educação de Cruz no Ceará e Talento da Educação da Fundação Lemann


Sou o filho mais novo de oito irmãos. Cresci em uma comunidade rural no município de Acaraú, no Ceará. Como não havia uma escola onde eu morava, só comecei a estudar aos sete anos. Ao iniciar o ensino fundamental, eu caminhava 12 quilômetros todos os dias para ir e voltar do colégio e, quando chegava em casa, ia para a roça ajudar os meus pais.

Na cidade em que eu estudava, a escola só tinha turmas até a oitava série (atual nono ano). Para conseguir cursar o Ensino Médio, eu e minha mãe fomos para Cruz, onde consegui uma bolsa no Colégio das Irmãs. Ao ter que decidir minha profissão, já tinha certeza do que eu queria. Ser professor. Em 1998, fiz o vestibular para pedagogia e durante a faculdade, já estava lecionando nas salas de aula.

Raimundo durante sua formatura de pedagogia
Fonte: Arquivo pessoal.

Após sete anos, fui convidado pelo prefeito da cidade para atuar na Secretaria da Educação de Cruz e fiquei nesse cargo até 2012. Ao assumir, criei um projeto chamado “Alfabetização Pra Valer”, o que contribuiu para o município se tornar um dos destaques na fase de alfabetização entre todas as escolas do Ceará. Dois anos depois, fiquei em Jijoca de Jericoacoara até ser convidado para voltar para a Secretaria de Cruz.

Colhendo os frutos do meu empenho

Por onde passo vejo meu legado. Trabalhando novamente em Cruz, recentemente colhi os frutos de todo o meu empenho ao levar 13 prêmios com o Escola Nota 10. Ficamos em sexto lugar entre os municípios do Ceará. Os municípios pelos quais passei hoje se destacam por ter uma proficiência de alfabetização.

Acredito muito no poder da educação e na integração das secretarias e das escolas. Por isso, visito todas as unidades de ensino do município anualmente. Nos dias de visita, realizamos workshops com todos os funcionários, do diretor até o vigia.

Raimundo, à direita, na entrega dos 13 prêmios com o Escola Nota 10

Outra ação muito importante para mim é a “Noite Especial”, quando vou até as escolas e me reúno com todos os pais da comunidade, para conversar sobre o que está sendo feito e ouvi-los sobre o que esperam. Ao fim, encerramos com um jantar de celebração. É uma experiência única.

A Rede de Líderes

Entrar na Rede de Líderes da Fundação Lemann para mim foi um divisor de águas. Em 2016, estava em Jijoca de Jericoacoara e, ao navegar pela internet, vi um anúncio sobre o programa Talentos da Educação. Comecei a ler e decidi me inscrever. Depois de alguns dias, recebi a feliz notícia de que havia sido selecionado.

Antigamente, eu não tinha um conexão próxima com pessoas tão inteligentes e com mentes abertas e a Rede me proporcionou isso. Por meio dela, tenho oportunidades únicas, como visitas a outros estados e até mesmo viagens internacionais, me proporcionando uma vivência totalmente diferente do que tinha imaginado para a minha carreira.

No início deste ano, participei da Caravana para Singapura e essa viagem me trouxe muitas referências para o meu dia a dia. Assim que retornei ao Brasil, comecei a adaptar e implementar uma ferramenta que eles utilizavam, o estudos em casa.

Em Singapura, Raimundo conheceu algumas universidade junto da rede de líderes da Fundação Lemann
Fonte: Arquivo pessoal.

Desde fevereiro, criei o “Estuda em Casa”, por meio do qual os diretores das escolas monitoram a quantidade de tarefas que os professores passam para os alunos fazerem em casa. Eles conseguem mensurar o rendimento de cada aluno através de planilhas.

Tenho a certeza de que a educação transformou a minha vida. Mesmo vindo de uma família simples, com poucos recursos, consigo enxergar o mundo de uma perspectiva mais ampla.  Hoje, enquanto secretário, eu luto pelas crianças e adolescentes. Eu quero que eles tenham as oportunidades que eu tive na vida e se possível, muitas outras.

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