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Nasci em São Paulo e cresci em Osasco. Somos em três filhos e sou a do meio. Minha família sempre valorizou e incentivou a educação, valor fundamental que foi reforçado com muito carinho para a construção da autoconfiança e esforço para superar as barreiras da vida.

Persistência na veia

Na adolescência, como a maioria de meus colegas, queria um tênis da moda, mas minha família não podia comprar. Por isso, decidi procurar um trabalho de meio período que pudesse conciliar com a escola - estudar era prioridade. No 1º ano do ensino médio, consegui uma vaga como empacotadora no Walmart, que estava em fase inicial de operação no Brasil. Trabalhava na loja de Osasco, onde circulavam muitos executivos brasileiros e expatriados. Esse ambiente cheio de pessoas falando inglês aguçou minha curiosidade e desejo de aprendizagem. Achava aquilo o máximo. Queria fazer parte daquele grupo. E foi aí que decidi estudar a língua.

Como o Walmart tinha uma política de recrutamento interno, durante todo o ensino médio apliquei para outras vagas. Foram nove tentativas e oito rejeições, em função da falta de experiência ou conhecimento técnico para as posições. Até que fui selecionada para trabalhar como assistente administrativa financeira, dentro do departamento jurídico. Isso ocorreu na mesma época em que fui aprovada no curso superior de Administração, na FAC FITO, em Osasco.

Controlava as finanças, mas tinha diversas funções e aprendia quase que por osmose o vocabulário jurídico, ouvindo os advogados ao meu redor. Aos poucos consegui abrir portas dentro da empresa. Alguns mentores me deram orientações sobre carreira e desenvolvimento profissional. Meu último cargo, após 13 anos na empresa, foi como gerente de responsabilidade social. Cuidava do Instituto Walmart, que ajudei a estruturar, e da estratégia de responsabilidade social da empresa.

Selma Moreira durante o Encontro Anual de Líderes 2019 da Fundação Lemann
Selma Moreira durante o Encontro Anual de Líderes 2019 da Fundação Lemann

Trabalhar por causas

Deixei o Walmart em 2010, desejando novos desafios. Queria entender como era o mundo além do varejo, desenvolver novas habilidades. Trabalhei dois anos em uma empresa de construção civil e outros dois como consultora em um projeto para fomentar desenvolvimento local na Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da FGV. Até que, em 2014, um amigo me indicou para uma vaga de diretora executiva no Baobá – Fundo para Equidade Racial e tudo deu certo - ocupo este cargo há 5 anos.

Foi um encontro perfeito. O trabalho certo, na hora certa. Naquele momento, estava em um processo de valorização e reconhecimento, um processo de afirmação da minha negritude. A oportunidade do Baobá combinou o desejo pessoal de luta por um mundo mais justo e equânime com a minha maturidade profissional.

Meu propósito hoje é contribuir para a promoção de um Brasil mais equitativo e inclusivo. Acredito que todas as pessoas negras devem exercer sua plenitude em diversos espaços de atuação e poder. Um desafio, considerando que a sociedade brasileira apresenta um legado de racismo desde o período Colonial. Até hoje a população negra se depara com barreiras no mundo da educação ou do trabalho. Já ouvi de colegas que “cresci muito”, mas meu objetivo é derrubar esses limites e estourar bolhas. O sonho de alguém não pode ser balizado pela cor da pele, textura de cabelo ou CEP.

Selma ao lado de Raquel Lyra, Marina Silva e Leticia Lyle no Encontro Anual de Líderes 2019 da Fundação Lemann
Selma ao lado de Raquel Lyra, Marina Silva e Leticia Lyle no Encontro Anual de Líderes 2019 da Fundação Lemann

Terceiro Setor Transforma

Entrei em 2018 na Rede de Líderes da Fundação Lemann, fazendo a adesão após participar da formação Terceiro Setor Transforma, que busca conhecer, conectar e colaborar com a formação de lideranças. O programa tem o apoio da THNK School of Creative Leadership, instituição especialista no desenvolvimento de lideranças para transformação em escala global.

O que mais me anima na Rede é ter a possibilidade de me conectar a pessoas competentes, que influenciam minhas áreas de atuação; e também conseguir conciliar a técnica para o desenvolvimento de uma luta tão pessoal.

Meu desejo é colocar as relações raciais em pauta na Rede, porque este é um assunto fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais democrática, justa e inclusiva. Meu lema de vida é olhar sempre mais para a abundância do que para a escassez. Reconhecer as pequenas vitórias, aquelas que são suficientes para avançar mesmo diante de todos os obstáculos.

Selma durante dinâmica no Terceiro Setor Transforma
Selma durante dinâmica no Terceiro Setor Transforma

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