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Crianças e jovens mais tristes, agitados, nervosos e com medo durante a pandemia é o cenário que mostra a pesquisa Datafolha “Onde e como estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas?”, encomendada pela Fundação Lemann e Instituto Natura. A pesquisa ouviu 1315 responsáveis por mais de 2.100 crianças e adolescentes (4 a 18 anos) matriculados na rede pública ou fora da escola, de todo o Brasil. Também foram entrevistadas 218 pessoas com idades entre 10 e 15 anos. O levantamento foi feito entre 16 de junho e 7 de julho de 2021.

A pesquisa foi dividida em quatro dimensões a partir da visão de pais e responsáveis:

1. situação do ensino na pandemia;

2. segurança e atividades no ambiente doméstico;

3. segurança alimentar;

4. saúde mental e comportamento.

Os resultados também contemplaram respostas dos próprios jovens sobre a saudade da escola e os sonhos para o futuro.

De acordo com os pais e responsáveis, 94% das crianças ou adolescentes tiveram alguma mudança de comportamento durante a pandemia. A maioria ganhou peso no período (56%); 44% se sentiram tristes; 38% ficaram com mais medo; e 34% perderam o interesse pela escola. Entre os que ficam sozinhos em casa, são mais altos os índices dos que passaram a dormir mais, ficaram mais quietos ou têm mais dificuldades para dormir.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.

Também é possível notar que crianças e adolescentes de famílias com menor renda sofreram mais os efeitos da pandemia em seus comportamentos: 59% das crianças e jovens com renda familiar até 2 salários-mínimos tiveram ganho de peso; 51% passaram a dormir mais; 48% ficaram mais agitados, 46% ficaram mais tristes, e 35% perderam o interesse pela escola.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.
Segurança alimentar

Outro impacto da pandemia é a insegurança alimentar: 34% das famílias afirmaram que a quantidade de comida foi menos que o suficiente. Nesta questão, as desigualdades aparecem na pesquisa de forma contundente. Enquanto 46% das famílias no Nordeste apontam insuficiência na quantidade de comida, no Sul esse dado cai para 18%. Entre os que relataram insuficiência de alimentos, 63% são pretos e pardos, 63% das famílias ganham até 1 salário mínimo e 66% afirmaram que alguém dentro de casa perdeu emprego ou renda na pandemia.

O Datafolha também mostrou que as refeições das crianças e adolescentes eram melhores antes da pandemia. A avaliação da alimentação como “ótima ou boa”, por parte dos responsáveis, caiu de 81% no período anterior à pandemia para 74% hoje; “regular” aumentou de 16% para 23%; e “ruim” se manteve estável em 2%.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.
Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.
Segurança e atividades no ambiente doméstico

Para saber onde e com quem estão as crianças e adolescentes enquanto as escolas estão fechadas, foram feitas algumas perguntas aos responsáveis relativas à rotina. 10% das crianças e jovens passam o dia na casa de outras pessoas, sendo metade destes na residência dos avós. Dos 90% que ficam na casa de seus responsáveis (pai, mãe, madrasta e/ou padrasto), 14% permanecem sozinhos no local ou apenas com irmãos, sem adultos responsáveis. A pesquisa também mostrou que a rotina de atividades em casa mudou: 37% das crianças e adolescentes estão jogando videogame ou celular com mais frequência do que antes da Covid-19 e 43% aumentaram as horas de TV.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.

Outro dado importante mostrou que 6% dos jovens entre 7 e 18 anos estão trabalhando, sendo maior o percentual entre os pretos (10%). Do total de jovens trabalhando,  60% começaram em 2021 e 74% são meninos. A idade média é de 16 anos, sendo que 9% têm entre 11 e 14 anos, 68% entre 15 e 17 anos e 23% têm 18 anos.

O que querem os jovens?

Além dos pais e responsáveis, a pesquisa também ouviu jovens de 10 a 15 anos para entender as suas expectativas e descobriu que 75% deles sentem falta das aulas presenciais ou de algum professor e 60% sentem falta do convívio social e dos amigos.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.

Outro ponto importante levantado pelas crianças e adolescentes foi o que vem daqui para a frente, pois 66% acreditam que terão o futuro muito ou um pouco prejudicado por conta da pandemia.

E não só o futuro, mas os sonhos dos jovens também foram colocados em xeque. 40% dos jovens sonhavam com profissões antes da Covid-19 e, agora, esse número caiu para 37%. Também surge uma nova variável depois da crise: 17% afirmaram que seu sonho é que a pandemia acabe.

Ensino na pandemia

A pesquisa mostrou que 3% das crianças e adolescentes não estão matriculados na escola. Desses, 32% afirmaram não estar na escola por conta da pandemia e outros 32% afirmaram não encontrar vaga na rede pública de ensino. Além disso, 62% das crianças fora da escola têm entre 4 e 6 anos.

Fonte: Datafolha/Fundação Lemann, Instituto Natura.

Sobre as atividades escolares para fazer em casa, os estudantes estão fazendo as tarefas recebidas (92%), e os responsáveis afirmam estar engajados com o processo – 89% deles disseram acompanhar as atividades feitas pelas crianças e adolescentes na escola e nas aulas on-line. 53% dos estudantes dedicam até duas horas diárias para essas tarefas.

Outro dado que chama a atenção é o da diferença regional na reabertura das escolas. No geral, 34% das escolas reabriram no país, segundo os pais e responsáveis. Na região Sul, esse número sobe para 62%, enquanto na região Centro-Oeste, cai para apenas 8%. O acesso à internet também se mostrou bastante desigual entre as regiões e a renda das famílias. Enquanto a média geral mostra que 54% têm banda larga em casa, nas casas com menor renda esse número é de 41%. Regionalmente, vemos que o Nordeste tem 43% de famílias com acesso à banda larga contra 68% do Sul.

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