“Matemática é difícil demais, eu nunca vou aprender”

Esta frase veio de um aluno do 5º ano da Escola Estadual Professora Ana Coelho Palmeira, em Maceió (AL). Foi a partir desse momento que uma das professoras recém-chegadas à escola decidiu ministrar aulas mais interativas. “Os alunos reagiram positivamente às interações com ela, então passamos a pensar em formas ainda mais envolventes de ensinar matemática”, conta Ana Márcia Ramalho, coordenadora pedagógica.

Em poucas semanas os alunos estavam se preparando para a primeira ida à campo: uma simulação das compras do mês no mercadinho local. O que eles não sabiam é que essa seria apenas a primeira de uma série de ações interativas. De jogos como o Twister a aulas de Educação Física, a matemática os acompanhou em tudo.

Vamos às compras!
Os alunos anotaram todos os valores e fizeram as contas na sala de aula
Fonte: reprodução.

Com o envolvimento de toda a comunidade e profissionais da escola, a atividade aconteceu no meio do ano. Os pais autorizaram a saída previamente, o motorista da escola ajudou na hora de atravessar a rua, a auxiliar da sala tirou fotos, os alunos repetentes do sétimo ano se tornaram monitores para tirarem dúvidas dos mais novos, e professores de outras matérias estavam a postos para auxiliar a turma.

Os alunos dos 5º e 6º anos saíram com uma missão: fazer as compras do mês com um salário mínimo. “Eles tiraram fotos dos produtos que queriam comprar e fizeram anotações sobre preços e quantidades”, explica a coordenadora pedagógica, “a importância da matemática no dia a dia foi ficando cada vez mais clara”. A segunda parada do passeio formativo foi na padaria local, para escolher itens que não encontraram no mercadinho, como pão e frios. “Voltando para a sala de aula, todos somaram os valores das compras e subtraíram o resultado do salário. Depois, passaram a analisar se aqueles itens seriam suficientes e se tinham feito boas escolhas”, conta Ana Marcia. 

Alunos reunidos em projeto de Matemática
Fonte: reprodução.

Para Letícia Vitória Pereira da Silva (13), estudante da sétima série, a experiência fora da sala foi marcante: “gostei muito de ter saído, foi bem legal ir com meus amigos na padaria. Tudo que escolhi deu a conta certinha, mas algumas equipes gastaram mais do que podiam. É uma forma mais divertida de fazer conta, não é tão chato quanto ficar no quadro. Tenho dificuldade na divisão, mas o resto das contas eu adoro!”, constata.

A união de Língua Portuguesa e Matemática ajudou na interpretação das questões e no desenvolvimento da atividade, que se desdobrou em jogos de interação, como o Twister, e até nas aulas de Educação Física. “É possível enxergar matemática em tudo, basta o estímulo certo”, avalia a educadora.

Resultados na aprendizagem

Na metade de 2017 a escola aplicou uma prova para saber o conhecimento dos alunos de três turmas de 6º ano sobre as quatro operações fundamentais. A prova foi reaplicada na metade deste ano, depois de uma série de atividades lúcidas e a visita à campo. “Percebemos uma melhora nas turmas que estão dentro da faixa etária - alunos de 12 a 18 anos. Nas turmas cujos alunos eram mais velhos, a melhora na prova não foi como imaginávamos, mas o engajamento e a participação deles chegou em níveis que não poderíamos ter previsto antes. Ficamos muito orgulhosos”, explica Ana Márcia. Alguns dos alunos que sequer abriam seus cadernos durante as aulas passaram a pedir para serem monitores nas próximas visitas. “Foi bonito ver eles querendo ir ao quadro responder uma pergunta depois da visita ao mercadinho”.

Trabalho em equipe foi essencial

Desde agosto de 2016 a rede pública de ensino de Alagoas participa do programa Formar, que apoia o estado e centenas de escolas em outras 23 secretarias de educação. 

O programa é uma parceria pela aprendizagem dos alunos e alunas e, como parte dessa união, a coordenadora pedagógica está realizando o curso Gestão para a Aprendizagem, ministrado pela nossa parceira Elos. “Esse curso nos ajudou a entender e a mostrar para todos o poder da união para obter bons resultados”, diz, “antes da chegada do Formar na nossa rede, tínhamos o costume de envolver apenas professores, coordenação e direção nas nossas atividades, com o olhar do Formar passamos a envolver auxiliares, pais e a comunidade”. 

A continuidade das atividades ainda está sendo estudada pela diretoria: “com a troca frequente de professores, não conseguimos garantir que essa atividade seguirá, mas crianças cobram, pedem pra sair de aula e sair do quadro - é clara a marca que essa ação imprimiu nelas”, conclui.

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