Quando assumiu a Secretaria Municipal de Educação de Ourinhos (SP), em 2013, Maria Tereza Paschoal de Moraes já havia participado de diversas ações relacionadas à gestão pública da educação e presidido o Conselho Municipal de Acompanhamento do Fundeb, de 2009 a 2011. 

Em 2012, foi presidente do Conselho Municipal de Educação da cidade e, em seguida, entrou para a União Nacional dos Dirigentes da Educação do Estado de São Paulo. Porém, trazia uma experiência ainda mais importante: havia sido professora de ensino fundamental por 12 anos. 

A expertise ajudou Ourinhos a passar de 5,3 pontos no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) para 6,4 pontos, segundo informações do Vetor Brasil. 

Para atingir esses resultados, a cidade passou a priorizar o aprimoramento dos professores, incluindo o foco nas habilidades de interpretação de texto e matemática. O município também investiu em questões físicas como revitalização de escolas e renovação da frota de transporte escolar, além aumentar o incentivo à participação de alunos em competições.

A gestão também representou uma redução de cerca de 80% do déficit de vagas em creches. O bom desempenho levou Maria Tereza a concorrer para vice-prefeita da cidade em 2016, embora não tenha sido eleita.

Seleção nacional

Esses resultados, mais todo o histórico da educadora, fizeram Maria Tereza ser escolhida, por meio de uma seleção aberta, entre 129 candidatos, como a atual secretária da Educação de Londrina, no Paraná.

Confira, neste vídeo, como foi o processo de seleção, realizado pela Vetor Brasil, organização sem fins lucrativos, suprapartidária, que atua desde 2014 em parceria com governos estaduais e municipais para atrair, avaliar e desenvolver profissionais públicos:

Teaser - Como Londrina inovou na escolha de sua Secretária de Educação?

problemas sérios na rede de ensino básico, segundo a secretária. Exemplos são a desigualdade de qualidade entre escolas e a dificuldade de acesso dos alunos a um currículo estruturado. 

“Os alunos têm pouquíssimo tempo de aula, são 20 horas semanais só”, explica. Dessas horas, apenas 13 são voltadas ao ensino das disciplinas base do ensino fundamental, que são português, matemática, ciências, história e geografia. “Nas outras 7 horas, cada escola tem uma coisa, por exemplo, uma escola tem inglês e a outra não tem”, afirma. 

O objetivo atual é estabelecer um currículo único para toda a rede e aumentar a carga horária de 20 para 25 horas semanais. “A implantação será em 2019. Nós estamos fazendo todos os estudos necessários porque isso envolve um impacto financeiro muito grande”, explica. Outro problema sério, destaca, é a falta de vagas nas creches públicas. 

Formada em Direito e pós-graduada em Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e pela Harvard Kennedy School, Maria Tereza foi selecionada pela Fundação Lemann como Talento da Educação em 2017. Após o encontro entre Lemann Fellows e Talentos da Educação deste ano, ela acredita que será possível estabelecer parcerias que ajudem a aperfeiçoar a implantação das melhorias necessárias em Londrina. 

“Quero trazer pessoas e parceiros para que a gente possa falar dessa implementação para os professores” - Maria Tereza Paschoal de Moraes, Talento da Educação

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