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Em maio de 2016, a Fundação Lemann abriu as inscrições para o programa “Jovem Embaixador – Lemann Fellowship”. A campanha convidou universitários do Brasil inteiro a gravarem um vídeo contando como eles mudariam o Brasil. Depois, os candidatos selecionados passaram por um processo de entrevistas. 

Entre centenas de candidatos, dois jovens foram escolhidos para ingressar no programa e viver uma experiência ímpar com a rede de Lemann Fellows da Fundação Lemann, que investe em líderes comprometidos em trabalhar para resolver as principais questões sociais do país.

André Servaes e Abidan Henrique da Silva foram aprovados no dia 24 de junho e, na semana seguinte, já participaram do maior evento da rede: o Encontro Anual. Desde então, estão recebendo mentoria especializada dos Lemann Fellows e aproveitando as novas conexões que criaram com a rede. Conheça a história desses jovens e saiba como eles pretendem contribuir para a transformação social do Brasil.

Abidan Henrique, o jovem que deseja transformar a exceção em regra

Ele tem apenas 19 anos, mas já conheceu diversas figuras políticas influentes, viajou para a Jordânia, fez um summer (curso rápido de um mês) em Harvard e inspirou outros jovens, compartilhando sua história no programa televisivo “Esquenta!”, comandado pela apresentadora Regina Casé, na Rede Globo.

Abidan Henrique da Silva nasceu no Jardim Guarujá, zona sul de São Paulo. Seu pai é marceneiro e a mãe trabalhou muitos anos como empregada doméstica. Como inúmeros meninos, seu sonho era ser jogador de futebol. "Para as famílias mais humildes, as poucas referências que temos são as que assistimos na TV, e os jogadores de futebol nos servem de exemplo de ascensão social", explica.

Abidan Henrique da Silva
Abidan Henrique da Silva
Fonte: Arquivo pessoal.

Sua trajetória mudaria aos 14 anos, no dia 29 de agosto de 2011, quando a professora de inglês Dalva Helena falou sobre uma bolsa de estudos oferecida pelo Ismart, instituto que apoia jovens talentos. O benefício era para estudar na escola particular Sidarta, em Cotia. Abidan abraçou a oportunidade e deixou o time de futebol para se dedicar aos livros.

Depois de 225 inscritos e cinco etapas de um longo processo seletivo, ele conquistou uma das bolsas. Este foi o primeiro marco importante na mudança de sua trajetória pessoal.

“Eu me descobri no Sidarta por encontrar novas formas de aprender e dialogar com o mundo”, relata. No começo, precisou se esforçar bastante para acompanhar o conteúdo e ficou conhecido como “Perguntinha” porque não hesitava em tirar suas dúvidas em sala de aula. Em pouco tempo, já estava envolvido com diversas atividades escolares como o projeto Numoses (Núcleo de Modelismo e Simulações Estudantis). A proposta é que os alunos se transformem em diplomatas enquanto são estimulados ao debate e ao desenvolvimento do pensamento crítico.

Ainda no 1º ano do ensino médio, Abidan descobriu Robert Wong, um dos 200 headhunters em destaque na atualidade segundo a revista The Economist. Wong oferecia aos alunos do Sidarta uma bolsa para o curso de summer em Harvard. Abidan concorreu, mas não conseguiu ir mais longe pela carência no inglês. Nos meses seguintes, uma professora estagiária, que era da Sérvia e estava na escola, dedicou-se a ensinar a língua para ele. No final do 2º ano, o jovem fez uma nova tentativa e ganhou a bolsa, quebrando paradigmas e cativando todos os professores e colegas. "Esse é um dos grandes sentimentos que quero gerar nas pessoas. O sentimento de que é possível", orgulha-se.

Abidan durante visita ao Museu de Belas Artes de Boston
Abidan durante visita ao Museu de Belas Artes de Boston
Fonte: Arquivo pessoal .

A ida de Abidan para Harvard é o segundo marco em sua vida. Lá, aprendeu a se comunicar, se engajar e se relacionar com diferentes culturas. Antes de terminar o curso, ganhou um concurso de redação ao escrever sobre a multiculturalidade - o aprendizado mais rico que carregou de volta ao Brasil. No retorno, precisava decidir qual profissão queria seguir e em quais faculdades gostaria de prestar o vestibular.

Acabou escolhendo Engenharia Civil na Poli (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo). Mais do que passar em uma prova e entrar em uma universidade prestigiada, Abidan inspirou os próprios pais e abriu as portas do ensino superior para sua família. "Quando estava no 3º ano, meus pais voltaram a estudar, fizeram EJA (Ensino para Jovens e Adultos) e Enem. Agora, meu pai também cursa Engenharia Civil e minha mãe, Pedagogia", conta emocionado.

Abidan está no segundo ano da faculdade e ainda tem muitas experiências para viver. Por enquanto, já participou do Bandeira Científica - projeto que leva universitários a uma cidade carente do Brasil para realizar projetos sociais. Ele também conseguiu arrecadar recursos para fazer uma viagem à Jordânia, conhecer atores influentes da política e discutir liderança global no programa internacional PGLA (Preparing Global Leaders Academy).

Viagem à Jordânia com os colegas do programa Preparing Global Leaders Academy
Viagem à Jordânia com os colegas do programa Preparing Global Leaders Academy
Fonte: Arquivo pessoal.

Mais uma vez de volta ao Brasil, o estudante foi procurado pelo programa Esquenta!, da Rede Globo, que contou sua história. Só que essa história ainda está no começo. Atualmente, o jovem trabalha com uma ideia nova chamada "Pra quê?", que visa fortalecer a conscientização política em escolas públicas. Com um formato dinâmico e inovador, o curso nasceu para ajudar a qualificar ideias e criar empatia, estimulando o olhar crítico de alunos do ensino médio. 

Ao mesmo tempo em que desenvolve seu projeto, aproveita as conexões e aprendizados que está tendo com o programa Jovens Embaixadores Lemann Fellowship - acontecimento que ele destaca como o terceiro marco da sua vida.

“Passar no programa e participar do Encontro Anual mudou minha mentalidade ao me colocar em contato com pessoas que estão conectadas com o que quero fazer no futuro, que é trabalhar no setor público. A Fundação Lemann, acima de tudo, me despertou para entender o verdadeiro valor e importância da rede”, conta.

Para o futuro, Abidan sonha em atuar no setor público e ser político para fazer a diferença e impactar o Brasil em larga escala. “E por que quero entrar na política? Antes de tudo, a minha vida é uma exceção e, entrando na política, eu quero transformar essa exceção em regra. Levar essas oportunidades que eu tive para outras pessoas. É isso que me motiva todo dia e me faz acordar às 5h da manhã para pegar o ônibus”, afirma.

André Servaes: pela democratização do acesso ao ensino superior

Com uma família meio belga e meio austríaca, André nasceu em Florianópolis e cresceu em contato com o mar. Aos nove anos, ele começou a velejar e, em pouco tempo, percebeu que a atividade funcionava como um jogo de xadrez: “Você tem que lidar com vários movimentos, entender a dinâmica do vento, da vela, do barco”, explica. Seu interesse no esporte o levou a estudar mais sobre hidrodinâmica e aerodinâmica. “Foi aí que comecei a gostar de física, matemática e química”, relembra. A dedicação o classificou como um dos 10 melhores no Campeonato Mundial Júnior de Vela.

André Servaes e seu companheiro de vela Rodolfo Levien
André Servaes e seu companheiro de vela Rodolfo Levien
Fonte: Arquivo pessoal.

Com 17 anos, André machucou a coluna e precisou parar de velejar. Isso aconteceu na época do vestibular e mudou o rumo da sua vida, que começou a ser direcionada para a educação. Por um tempo, cursou Engenharia na Universidade Federal de Santa Catarina, mas percebeu que seu sonho era causar impacto e mudar a vida das pessoas. O primeiro passo foi tentar uma bolsa em Harvard e, mesmo não sendo aprovado, começou a projetar novos planos. Ele queria e tinha certeza de que poderia fazer a diferença no mundo.

“Foi aí que eu e mais dois amigos tivemos a ideia de fazer um cursinho pré-vestibular gratuito”, conta. A proposta é ajudar alunos de baixa renda a passarem no vestibular aprendendo com universitários voluntários que acabaram de ingressar na faculdade. Isso oferece uma oportunidade dupla, pois os voluntários também adquirem habilidades importantes como falar em público e aprimorar o poder de oratória.

A primeira experimentação aconteceu com uma turma de 30 alunos e 20 interessados. O projeto, nomeado Einstein Brasil, ganhou novos rumos, tornando-se uma rede que dá suporte, orienta e cria uma associação com os principais cursos do país como o da Poli (Escola Politécnica da USP); CasD Vestibulares e MedEnsina (curso comunitário gratuito organizado por alunos voluntários da Faculdade de Medicina da USP). Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal já fazem parte do programa. Atualmente, os cursinhos que integram o projeto já impactam mais de 2 mil alunos, com mais de 500 voluntários envolvidos.

Alunos do projeto Einstein Brasil
Alunos do projeto Einstein Brasil
Fonte: Arquivo pessoal.

Hoje, André estuda Administração Empresarial e, ao lado de seus amigos e sócios George Lodygensky, Igor Lodygensky e Douglas Marangon, encara o desafio de tornar o Einstein Brasil cada vez mais forte para impactar o maior número possível de pessoas. Além disso, pensa em ampliar a iniciativa para outros países como Estados Unidos e África do Sul.

Para levar o projeto mais longe, André já conta com importantes aliados, como José Ney Alves Feitosa, presidente do CasD. O jovem percebe a importância da rede de contatos e sabe que é essencial trabalhar para ampliá-la. Por isso, o programa Jovem Embaixador Lemann Fellowship tem sido importante para ele: “O que mais me marcou no Encontro Anual foram as pessoas e como elas realmente estão colocando suas ideias em prática. Eu sou apaixonado pelo Brasil, mas não tinha noção que tanta gente está fazendo coisas incríveis por aqui e não só no exterior”, comenta. 

Até o final do ano, o Jovem Embaixador também contará com a mentoria do Lemann Fellow Renan Ferreirinha, que estudou em Harvard e é um dos fundadores do Movimento Mapa Educação. Todas essas interações têm inspirado ainda mais André a perseguir seu propósito de vida.

“A gente lida com os sonhos de jovens geralmente desamparados e excluídos. O que falamos pra eles é que é possível confiar na educação para realizar estes sonhos. Sabemos que entrar em uma boa universidade não vai mudar só a vida dele, mas também a da sua família e a de sua comunidade”, afirma.

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