Ao ingressar como docente na Universidade Federal do Acre (UFAC) em 2016, o médico Odilson logo pôs em prática o que havia estudado na especialização, realizada em Saúde Pública, na Universidade de Harvard, com o apoio do Programa de Talentos Lemann Fellowship. 

Seu primeiro passo foi identificar um local e um objeto de pesquisa que pudessem atrair a atenção da comunidade científica. A ideia era desenvolver um trabalho que ganhasse destaque internacional e, consequentemente, investimento. Escolheu trabalhar com a população ribeirinha do Acre. 

Em seguida, procurou questões ou linhas de análise que pudessem impactar na política de saúde pública local e, assim, melhorar as condições de vida da população de Rio Branco. Articulou então na UFAC um grupo de pesquisas em doenças cardiovasculares, com foco em doenças epidemiológicas.

A primeira linha escolhida foi a recente epidemia da doença de Chagas aguda, que acomete principalmente os Estados da região amazônica. Ao contrário da forma tradicionalmente conhecida de transmissão – na qual o sujeito coça a região da pele picada pelo barbeiro e se contamina – a Chagas aguda é contraída durante o consumo de açaí. O fruto mal lavado é moído junto ao inseto, e o contágio se dá por via oral. 

Outro eixo que o grupo estuda é a interferência de desastres naturais na saúde cardiovascular da população ribeirinha. O médico explica que as mudanças climáticas fazem com que a pluviosidade dos rios da Bacia Amazônica fique mais inconstante. “O nível das águas pode influenciar a saúde das pessoas”, explica Odilson, podendo atingir tanto a saúde psicológica das comunidades quanto mudar a alimentação. 

Parcerias e resultados

Atrás de parceiros para apoiar a pesquisa, Odilson procurou a Secretaria de Saúde do Acre, que abraçou a ideia. “Estabelecemos uma conexão que não existia entre academia, universidade e Secretaria de Saúde”, conta. O trabalho foi tão bem recebido que, após um período, os próprios funcionários da secretaria chegaram a entrar em contato e solicitar ajuda. 

A iniciativa também ajudou a definir novas prioridades para os investimentos em pesquisa no Estado. De acordo com Odilson, o grupo conseguiu “mudar um pouquinho as prioridades que a secretaria tinha, puxando um pouco para doença cardiovascular, que é a doença que mais mata e mais causa internação no Acre”. 

Rede de apoio

Odilson elogia as oportunidades de contato junto à rede de Fellows. “Eles me conectam com pesquisadores que têm know-how em algumas coisas que não tenho”, explica. Além disso, o médico conta que a oportunidade de ir fazer toda a formação em Harvard possibilitou que ele trouxesse uma “caixa de ferramentas”, e aplicasse o conhecimento nas pesquisas no Acre.

Ele também elogia o encontro anual de Fellows e Talentos da educação, realizado pela Fundação Lemann: “significa ver e se inspirar com pessoas que pensam parecido, e fazer conexões justamente para desenvolver esses projetos e poder aplicá-los diretamente nas nossas cidades”. 

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