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A pandemia da Covid-19 obrigou as escolas a fecharem suas portas aos estudantes e impôs uma realidade até então inédita na educação do Brasil e do mundo. Ainda assim, a rede pública de ensino brasileira está conseguindo ofertar atividades não presenciais aos seus estudantes, em um esforço conjunto de secretarias de educação, gestores e professores, que em tempo recorde conseguiram reunir uma série de alternativas para dar continuidade ao aprendizado. Ao mesmo tempo, pais ou responsáveis e os próprios alunos tentam se adaptar ao novo cenário. Isso é o que mostra uma pesquisa do Datafolha realizada a pedido da Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures. 

Foram efetuadas 1.028 entrevistas com pais ou responsáveis por 1.518 estudantes da rede pública em todo o Brasil. A margem de erro máxima para o total da amostra é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa quantitativa teve abordagem telefônica, a partir de sorteio aleatório de números de telefones celulares, e foi realizada entre os dias 18 e 29 de maio de 2020. 

Em menos de três meses de pandemia no Brasil, é possível afirmar que 74% dos estudantes das redes municipais e estaduais estão recebendo algum tipo de atividade para fazer em casa. Entre os alunos do Ensino Médio, esse número chega a 85%. 

O índice de acesso ao material é alto, pois as atividades e o conteúdo pedagógico foram disponibilizados de diferentes maneiras – plataformas digitais, materiais impressos, videoaulas gravadas e, até mesmo, rádio e televisão –, considerando as diversas realidades dos estudantes. As atividades ofertadas pelas escolas por meio de algum equipamento tecnológico (internet pelo celular ou computador, TV ou rádio) correspondem a 37%, por material impresso 3%, e recebem tanto impresso quanto por tecnologias, 34%. 

“O material não substitui de nenhuma maneira o professor ou a interação social que a escola proporciona, mas mostra como a tecnologia pode ser uma boa aliada na educação”, diz Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. 

“Essa é a primeira de uma série de três pesquisas que têm por objetivo apoiar os gestores públicos com dados e evidências para um melhor planejamento das suas ações na pandemia. Os desafios são muitos, tanto dos estudantes quanto dos professores e gestores, que precisam pensar em novas formas de ensino-aprendizagem para manter a motivação dos estudantes e evitar o abandono escolar”, diz Angela Dannemann, do Itaú Social.

Como as crianças estão estudando em casa?

A rotina dos estudantes em casa foi outro ponto abordado com pais e responsáveis. 84% dizem que os estudantes se dedicam mais de uma hora por dia aos estudos em casa, sendo que 29% passam mais de três horas diárias. E 82% estão fazendo a maioria das atividades escolares enviadas pela escola. 

Entre as principais dificuldades das atividades não presenciais estão: acesso à internet (23%), dificuldade com conteúdo (20%), falta de equipamentos (15%) e falta de interesse no conteúdo (15%). 

A pesquisa mostra, ainda, que metade dos pais ou responsáveis dos alunos que receberam algum material acredita que o aprendizado está evoluindo em casa e 54% veem motivação dos alunos nas aulas. 71% também acreditam que o relacionamento em casa não piorou após o início das atividades remotas. Por outro lado, 31% dos respondentes demonstraram preocupação com a evasão escolar. Esse percentual é ainda mais alto entre pais com baixa escolaridade e menor renda. Dos pais com medo do estudante desistir de frequentar a escola quando as aulas voltarem, o percentual é maior para responsáveis com apenas o ensino fundamental (40%), com até dois salários mínimos mensais (36%), com estudantes da cor preta (37%) e das escolas com menor nível socioeconômico.

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