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A pandemia trouxe grandes desafios para a educação brasileira com o fechamento das escolas e a necessidade do ensino não presencial. As dificuldades para superar as perdas e evitar maiores retrocessos na aprendizagem de crianças e adolescentes foram e estão sendo inúmeras. No entanto, essa experiência já deixou alguns legados decisivos para o ensino  no país, que tem se preparado para a possibilidade de um modelo híbrido na educação. É o que mostra pesquisa Datafolha, encomendada pela Fundação Lemann, Itaú Social e Imaginable Futures, e realizada com 1.021 pais ou responsáveis de estudantes das redes públicas municipais e estaduais, com idade entre 6 e 18 anos, no período de 16 de setembro a 2 de outubro.

Esta é a quarta onda da pesquisa realizada com amostra de abrangência nacional,  que tem por objetivos identificar se os estudantes dos ciclos Fundamental e Médio estão recebendo, acessando e realizando as atividades de aprendizado remoto durante a pandemia no Brasil; mapear as dificuldades enfrentadas pelos estudantes em relação ao acesso, rotinas e motivação; e identificar percepções dos responsáveis sobre a qualidade do apoio das escolas, evolução nos estudos, possibilidades de abandono, assim como os desafios no acompanhamento da rotina de aprendizagem em casa. As pesquisas anteriores foram realizadas nos meses de maio, junho e julho.

Maior participação das famílias e valorização dos professores

O estudo Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias apontou que 51% dos responsáveis consideram que estão participando mais da educação dos estudantes, no período da pandemia. Este índice sobe para 58% na região Sul e 57% no Centro-Oeste. Também aumenta para 58% entre os responsáveis com maior escolaridade, contra 47% entre os que têm nível fundamental. E 72% concordam com a afirmação de que estão com mais responsabilidade pela educação dos estudantes durante a pandemia, do que antes dela.

O levantamento aponta que 71% dos responsáveis pelos estudantes estão valorizando mais o trabalho desenvolvido pelos professores e 94% consideram muito importante que os docentes estejam disponíveis para correção de atividades e esclarecimento de dúvidas durante as aulas não presenciais.

Outro efeito importante da pandemia para a educação é que a maioria (64%) também considera que as aulas não presenciais foram eficientes no aprendizado aos estudantes, enquanto 36% afirmam que não foram eficientes.

Para a gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, os dados podem contribuir para que o poder público amplie seu olhar sobre o potencial das famílias e sobre o papel das redes de proteção à criança e ao adolescente. “Famílias estão acompanhando mais de perto o ensino para seus filhos, e valorizando ainda mais o papel central do professor. São transformações que vêm para dar mais força a iniciativas de valorização da profissão docente, assim como da parceria família-escola. Ao mesmo tempo, os dados sobre o contexto podem e devem ajudar a direcionar as políticas intersetoriais, tão necessárias para o desenvolvimento integral dos educandos, especialmente nos territórios em situação mais vulnerável”, diz ela.

Os resultados também revelaram dados sobre o acesso aos conteúdos. Em setembro, 92% de estudantes brasileiros receberam atividades para fazer em casa, contra 74% em maio. O aumento ocorreu em todas as regiões do país, sendo o Norte a com menor índice de acesso. Em maio, o Sudeste registrou 85%, o Sul 94%, o Nordeste 61%, o Centro Oeste 80% e o Norte 52%. Já em setembro, o alcance de alunos que receberam atividades em casa passou no Sudeste para 94%, no Sul 96%, Nordeste 87%, Centro Oeste 97% e Norte 84%. 

Desafios na pandemia

Por outro lado, o mapeamento mostrou os principais desafios que devem ser enfrentados de agora em diante. Os estudantes estão menos motivados para realizar as atividades em casa. Em maio, 46% se sentiam desmotivados, agora são 54%. Porém, os índices se mantiveram estáveis quando comparados à pesquisa anterior (de julho/2020): 51% em julho, contra 54% em setembro.

A percepção das dificuldades de estabelecer uma rotina de aprendizagem em casa passou de 58% para 65%, de maio a setembro. Nos anos iniciais chega a 69%. Também para 28%, o relacionamento em casa piorou após o início das atividades remotas, contra 21% em maio; nos anos iniciais esse índice é de 30%. E o medo de abandonar a escola se manteve como em maio, em 30%, depois de ter chegado a 38% na edição anterior da pesquisa, em julho.

Segundo o diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, a preocupação dos pais com uma possível desistência da escola pelos estudantes é um alerta para toda a sociedade. “A evasão e o abandono escolar não são um evento pontual, mas algo que terá reflexo sobre o estudante, sobre sua família e sobre a sociedade como um todo, aumentando ainda mais a desigualdade. Toda a sociedade deve estar engajada para evitar que o estudante desista da escola. Não pode ser uma tarefa única da escola ou da família. É importante mostrar ao estudante o que ele perde desistindo da escola, pois é uma forma de desistir da sua própria história, dos seus sonhos e do seu futuro”, diz Mizne.

Covid-19 e renda

A investigação fez também um retrato mais abrangente da pandemia, para além de aspectos diretamente relacionados à educação. Notou-se uma sobrecarga nas famílias, reflexo dos efeitos na renda familiar. O fechamento das escolas tirou refeições importantes para muitos estudantes em situação vulnerável e existe grande insegurança em relação à saúde. Tais questões podem se refletir na educação dos estudantes.

Entre os entrevistados, 54% têm em casa pessoas do grupo de risco para o coronavírus. Já 82% não tiveram contato com a Covid-19 e 18% foram contaminados pela doença. Uma maioria de 44% está em situação social de isolamento flexível e apenas 4% têm experienciado uma rotina muito flexível em relação ao isolamento.  Na contrapartida, 36% têm vivido de modo rigoroso e 16% estão em uma rotina muito rigorosa.  

Para 42% das famílias, a falta de refeição que os estudantes faziam na escola está pesando no orçamento, com destaque para o Nordeste, que chega a 52%. A renda familiar diminuiu em 42%, e 38% recebem ou têm alguém em casa que recebe Bolsa Família. Aqui, o Nordeste desponta com 58% e o Norte com 50%. O auxílio emergencial tem sido usado por 59% dos domicílios abordados, sendo 66% no Nordeste. 

 

Mais informações:

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