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Por Ana Luíza Farage Silva e José Roberto Baldívia (Programa Formar, uma iniciativa da Fundação Lemann em parceria com redes públicas de ensino de todo Brasil)


Alunos com dificuldades de aprendizagem, professores insatisfeitos com as oportunidades de desenvolvimento, gestores escolares esgotados pelos problemas… Com tantas adversidades, é comum ficarmos desmotivados de vez em quando, não é mesmo? Mas tudo isso tem solução se trabalharmos juntos (mas juntos mesmo!).

Melhorar a vida escolar é uma jornada desafiadora. E para que as mudanças aconteçam é necessário que alunos, pais, professores, gestores escolares, Secretarias de Educação, sociedade civil e universidades trabalhem juntos. Pensando nisso, a Fundação Lemann participou do 3º Congresso Internacional sobre Liderança e Melhora Escolar, em Santiago do Chile. O evento foi uma oportunidade de mostrar e conhecer experiências e metodologias que fazem a diferença na aprendizagem, principalmente em países ibero-americanos. 

Para o Congresso, contamos com pessoas do programa Formar e Educar pra Valer, assim como nossos parceiros da Elos Educacional e Mathema. A delegação brasileira foi a maior do evento e também recebeu representantes do Instituto Unibanco, secretários de educação e pesquisadores.

Foram muitas ideias, aprendizados e boas práticas. Aqui, vamos destacar três ideias pensando no potencial de transformar a educação com mais equidade, diversidade e justiça social. 

1. Dados a favor da educação: equipes nas escolas e em toda a rede

Todo professor e gestor escolar tem dentro de si um pesquisador poderoso que quer entender a realidade dos seus estudantes. É um instinto curioso por buscar novas maneiras de fazer cada um da turma aprender mais e melhor.

A vontade é forte, mas entender as diferentes realidades nem sempre é fácil. E se a gente fizesse isso com base em dados, fatos e evidências? E se organizarmos todas essas informações para desenvolvermos ações práticas que ajudam os alunos a aprenderem mais? Com base nesse questionamento, Kim Schildkamp, da Universidade de Twente na Holanda, desenvolveu uma metodologia para apoiar escolas a criarem “Times de Dados”. 

Ela percebeu que existe um poder muito grande na percepção dos professores e gestores escolares sobre a realidade e que essa percepção poderia ser transformadora se recebesse uma mãozinha da cultura de dados. 

Existem 6 passos para que as decisões da gestão escolar seja baseadas em dados de maneira colaborativa entre professores e gestores. Vamos conhecer? 

Passo 1: Propósito e hipóteses

Gestores escolares e professores estabelecem juntos um propósito, um problema que querem resolver. Suponha que o problema é: os alunos não estão aprendendo fração.

Passo 2: Dados

Eles levantam hipóteses que possam explicar a fonte dos problemas e coletam dados para investigar o que acontece de fato. Se o problema é que os alunos não estão aprendendo fração, pode ser que isso aconteça porque têm dúvidas em divisão. O dado que confirma ou não a hipótese pode vir de uma avaliação, por exemplo.

Passo 3: Informação

Com os dados em mãos, gestores e professores (juntos, mais uma vez), analisam e interpretam os resultados para rejeitar ou confirmar as hipóteses levantadas. Será que a fonte do problema é que os estudante realmente não aprenderam divisão ou a raiz do problema está em outro lugar? É muito importante checar se os dados são confiáveis para evitar conclusões erradas.

Passo 4: Conhecimento

A parte mais rica é essa, porque une a informação com o conhecimento de realidade dos participantes dos times de dados, que agora entendem melhor porque os problemas estão acontecendo. Se os alunos não aprenderam divisão, por que será que isso aconteceu?

Passo 5: Ação

Essa é a parte da mudança. Aqui, a escola cria uma ação para lidar com o problema. Será que um mês com uma hora a mais de aulas para os alunos com dificuldades em fração pode ajudá-los a aprender divisão?

Passo 6: Resultados e melhoria contínua

O problema foi resolvido? Os alunos aprenderam fração? Para checar, é só recomeçar o ciclo, voltando ao passo 2.


Com essas etapas e o time de dados, o foco é levar o estudante mais longe! Já pensou como seria se você conseguisse mudar a realidade da sua escola assim, colaborativamente e libertando o investigador curioso sobre o mundo que existe em você? Vamos experimentar?! A boa notícia é que também dá pra aplicar o conceito em Secretarias de Educação e sistemas maiores de implementação de políticas educacionais.

Alex, da Elos Educacional, conta como foi a CILME

2. Fazer a diferença é assim: de dentro para fora, juntos e aos poucos

Muitas pessoas atuam para melhorar a qualidade da educação: pais, professores, gestores escolares, técnicos de Secretaria de Educação, universidades e organizações da sociedade civil. Mas às vezes todos esses recursos e esforços não se encontram. E é na oportunidade de gerar impacto positivo com esses encontros que Louis Gomes, da UCLA E Carnegie Foundation, ressaltou: precisamos apoiar a criação de comunidades nas escolas e outras organizações que realmente possam colaborar com novas formas de ensinar, aprender e avaliar.

Ele nos contou de experiências exitosas nesse sentido e explicou que quando há redes colaborativas, a melhora da aprendizagem é uma responsabilidade compartilhada de todos. Tudo isso precisa começar com quem está dentro da escola. O processo de implementação sempre precisa ser assim: de dentro pra fora. E não precisa acontecer de uma só vez. O movimento de colaboração entre professores e Secretaria de Educação, por exemplo, pode começar aos poucos, mas precisa acontecer sempre.

3. Educação focada na justiça social: 3 passos para acabar com o determinismo!

Acreditamos e defendemos o direito que todos os alunos têm de aprender. Não só o direito de aprender como também a possibilidade e capacidade de aprender qualquer coisa. Mas é comum a gente ouvir os desafios variam muito de acordo com a origem e condições do estudante. Temos casos e estudos que mostram esse tipo de desigualdade. 

Mas, veja bem, aprendemos que existem formas de romper as barreiras da dificuldade de aprendizagem e garantir que todos os alunos aprendam (e se incluam em qualquer contexto), não importa de onde vieram. Um jeito de criar ambientes focados na justiça social é com liderança colaborativa: a atitude permite liderar escolas dando sentido às decisões tomadas com muito foco nas relações entre as pessoas, narrativas, discursos e redes que se formam entre todas as pessoas que fazem parte daqueles ambientes.

E é sobre isso que a Sonia Ospina, professora da Universidade de Nova York, nos conta. Ela compartilhou suas experiências e disse que existem 3 passos para criar uma liderança colaborativa focada na justiça social. 

Passo 1

Re-enquadrar o discurso dominante: questionar, desafiar as narrativas e os modelos mentais que contribuem para criar e reforçar os problemas sistêmicos que afetam a comunidade. Ou seja, acolher para então transformar os desafios em oportunidades.

Ana Luiza, da Fundação Lemann, conta os aprendizados da CILME

Passo 2

 Acabar com as diferenças: conectar mundos e perspectivas diferentes para construir pontes que tornem possível a ação coletiva.

Passo 3

Liberar a energia humana: criar condições para que as pessoas se vejam aptas a mudarem pessoalmente, aprender e buscar o direito de dignidade e recuperar a dignidade para ser. Aprender e desaprender.

Os passos permitem sair da lógica de uma liderança heróica, em que os esforços são repetidos para influenciar aos outros, para uma liderança coletiva, em que é formada uma comunidade de aprendizagem contínua.

Tudo que aprendemos tem um foco muito claro: transformação social por meio da colaboração. Quer pensar como atuar assim na sua escola? Conta pra gente! Vamos adorar aprender com você e colaborar para que a sua escola, rede de ensino e o Brasil cheguem cada vez mais longe.

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